Percebendo o Feminismo: Espero Chegar a Liberdade do Corpo da Mulher | Realizing Feminism: I hope to achieve bodily freedom for women

August 23, 2023

BY Mangia Macuacua

English translation below

O Feminismo é revestido de rivalidade aos homens!

Esta é a abordagem normalizada nas sociedades, mas como forma de desmerecer os espaços públicos, culturais que são espaços de constituição das normas e valores sociais.

O feminismo desconstrói a ideia da centralidade dos privilégios sociais, políticos e culturais que sempre foram e ainda são virados ao homem (biológico), desbloqueia as barreiras colocadas para impedir que mulheres de base e de outras esferas sociais sejam tratadas e consideradas sujeitas de direito sem que sofram descriminação. 

O feminismo desmantela os sistemas opressores que se constituem a cada dia para dominar o mundo em favor dos grupos que detém do poder, e é por isso que o mesmo poder opressor vem impondo normas que discriminam e alimentam o patriarcado.

O feminismo mostra que é possível conviver com diferenças e que a vida humana não deve colocar privilégios para um grupo e oprimir o outro, por meio do feminismo muitas mulheres foram e vão conhecendo a si e suas sociedades de modo político, social e cultural.

Foi e tem sido através do feminismo que o mundo testemunha o alargamento da perspectiva feminina que muitas mulheres constituem suas abordagens e histórias sem medo.

O feminismo trás uma abordagem mais inclusiva e de participação horizontal, promove a abertura de compreensão de culturas, etnias e diálogo político pelo bem colectivo, constituindo saberes e conhecimentos mútuos entre as pessoas dando primazia o reconhecimento do papel da mulher na formação das sociedades e sua posição política.

Em sociedades africanas existem discursos que posicionam o feminismo em mais uma abordagem ocidental para implantar formas de ser e estar que reflectem a vida normalizada pelo patriarcado. A conexão que já existe com espaços de partilha com quem nem mesmo conhece a existência do conceito, mostram que a realidade africana sempre foi de reconhecer o papel das lideranças femininas na construção da vivência social, tanto que as decisões eram tomadas horizontal, dando espaço as mulheres mostrarem o seu parecer.

As mulheres sempre tiveram seu espaço de partilha e conhecimento de sua sexualidade, bem como o cuidado dos seus corpos de forma prazerosa, mas que a rotina foi quebrada de forma brusca com a vinda do colonialismo, reproduzindo de forma mais profunda a opressão sobre seus corpos, como é possível ver em todas as peliculas ou mesmos livros que narram o lado feminino da mulheres naquele contexto, que era tudo virado a hostilidade dos seus corpos, por meio da exploração e violência sexual, justificada ao simples facto de ser Mulher e negra.

Mas as mulheres que testemunham o processo de libertação do colonialismo não isolam apenas o silenciar das armas, ou mesmo o baixar as flexas, tomaram como um passo que pudesse permitir que elas mesmas se resignificassem após hostilidades, que não foi um percurso fácil porque já tinha sido deixada a marca do oprimir e agredir para mostrar poder, tal poder sobre o corpo das mulheres. 

Actualmente essa opressão e poder sobre o corpo das mulheres vem se reproduzindo por meio das redes sociais e espaços privados ou mesmo públicos.

Com a expansão do conceito do Feminismo, o lado opressor buscou reproduzir de forma as mulheres a desacreditarem nelas e noutras mulheres, tudo partindo do corpo. 

Com isso nota-se que o corpo feminino é padronizado pela moda e mesmo por aquilo que são construções sociais de perfeição feminina. Reproduz-se que as mulheres mais magras, com tonalidade de pele mais clara são mais aceites nos empregos, são as que tem destino para o casamento, são as perfeitas para exposição social como parceiras. 

A indicação do belo e do feio, passou de uma análise estética da arte para um campo de definição da mulher bela e aceitável e a que se pode descartar, substituem-se os critérios para a indicação do que é ou não arte para dar espaço aos elementos que devem compor uma mulher e determinar se é ou não mulher que a sociedade preze.

São estas e muitas outras formas que a sociedade e mundo buscam de forma mais pesada rotular para que as mulheres se afastem uma das outras ou mesmo as que já estiveram unidas se dispersem para que haja lacunas e espaços para a reprodução massiva do patriarcado, machismo se espalhem a partir da liberdade dos corpos das mulheres que o feminismo tanto defende e procura alargar para que mais mulheres se constituam de forma autónoma, libertadora conquistando espaços sociais, culturais e políticos, porque existe o medo do poder da Mulher, pois sabem que as guerras mais bem vencidas as mulheres estiveram em campo, as maiores invenções tecnológicas a mulher despertou essa consciência.

In English

Feminism is often equated  with rivalry to men!

This is the normalized approach in societies, but as a way of discrediting the public and cultural spaces that are their constitution.

Feminism deconstructs the idea of the centrality of social, political and cultural privileges that always were and still are directed at men (biological), unblocks the barriers placed to prevent women from the grassroots and from other social spheres from being treated and considered as subjects of rights without suffering discrimination. 

Feminism dismantles the oppressive structures that are constituted every day to dominate the world in favor of the groups that hold power, and that is why the same oppressive power has been imposing norms that discriminate and feed patriarchy.

Feminism shows that it is possible to live with differences and that human life should not place privileges on one group and oppress the other. Through feminism many women have been and continue to know themselves and their societies in a political, social and cultural way.

It was, and has been, through feminism that the world witnesses the broadening of the female perspective that many women form their approaches and stories without fear. 

Feminism brings a more inclusive approach and horizontal participation, promotes an open understanding of cultures, ethnicities and political dialogue for the collective good, constituting mutual knowledge and knowledge between people, giving primacy to the recognition of the role of women in the formation of societies and their political position.

In African societies, there are discourses that position feminism in a more Western approach to implement ways of being that reflect the life normalized by patriarchy. The connection that already exists in sharing spaces with those who do not even know the existence of the concept, shows that the African reality has always been of recognizing the role of female leaders in the construction of social experience, so the decisions were taken horizontally giving women space to show their opinion.

Women have always had their space for sharing and knowing their sexuality, as well as taking care of their bodies in a pleasurable way, but that routine was abruptly broken with the arrival of colonialism, reproducing the oppression of their bodies in a deeper way, as it is possible to see in all films or even books that narrate the feminine side of women in that context, that it was all about the hostility of their bodies, through exploitation and sexual violence, justified by the simple fact of being a woman and black. 

But the women who witness the process of liberation from colonialism do not just isolate the silencing of weapons, or even the lowering of the arrows. They took it as a step that could allow them to re-signify themselves after hostilities, which was not an easy path because they already had the mark of oppression and aggression was left to show power, such power over women’s bodies.

Currently, this oppression and power over women’s bodies has been reproduced through social media and private or even public spaces.

With the expansion of the concept of Feminism, the oppressive side sought to reproduce in a way that women discredited themselves and other women, all starting from the body.

With this, it is noted that the female body is standardized by fashion and even by what are social constructions of female perfection. It is reproduced that thinner women, with lighter skin tone are more accepted in jobs, are the ones destined for marriage, are the perfect ones for social exposure as partners. 

The indication of the beautiful and the ugly passed from an aesthetic analysis of art to a field of definition of the beautiful and acceptable woman and the one that can be discarded, criteria for indicating what is or is not art are replaced to give space to the elements that must compose a woman and determine whether or not she is a woman that society values.

It is these and many other ways that society and the world seek to label more heavily so that women distance themselves from each other or even those who were once united disperse so that there are gaps and spaces for the massive reproduction of patriarchy, sexism spread from the freedom of women’s bodies that feminism so much defends and seeks to expand so that more women constitute themselves in an autonomous, liberating way, conquering social, cultural and political spaces, because there is a fear of women’s power, because they know that the most successful wars women were on the field, the greatest technological inventions women awakened this awareness.