Feminization Of Poverty And Pandemic In Brazil

LEITÃO, Teresa. Women and the pandemic. Brasil de Fato – Pernambuco.

BY MARI MALHEIROS

The Coronavirus pandemic has brought about grave consequences to the lives of women everywhere, and in Brazil, we can not see how or when it will get better. In the first months of the pandemic, in March and April of 2020, the World Bank released a report that shows a 22% increase in feminicides compared to the same períod in 2019. This report also shows that Dial 180, the national service hotline of violence against women, had a 27% increase in complaints.

We need to talk about unpaid domestic work that also was also intensified during this period. In the report “Sem Parar’ – O trabalho e a vida das mulheres na pandemia”, we see that 50% of Brazilian women are taking care of someone in this period. When the racial analysis is made, these numbers are even harsher: 50% of indigenous women and 52% of black women are responsible for the care of someone, while 46% of white women do the same work. Among women in the labor market and who accumulate domestic work, 41% stated that they are working more in the pandemic. In addition, 40% of women can lose their livelihood, and 58% of unemployed women are black.

Women are more exposed to the pandemic because they are the sole caregivers for people suffering from sickness in their household. We are performing the role of the State without any remuneration.

During these circumstances, we also denounce the negligence and violence caused by the GENOCIDAL government of Jair Bolsonaro, which significantly reduced funds for public services, including education, health and social assistance, with severe consequences for the poorest of women.

Women are more exposed to the pandemic because they are the sole caregivers for people suffering from sickness in their household – children and teenagers studying and attending classes from home, the elderly without social assistance and medical care. We are performing the role of the State without any remuneration. All this impacts the increase of a phenomenon denounced since the 1970s: the feminization of poverty.

When we talk about the feminization of poverty, we find that gender inequality caused by the accumulation of domestic work and infliction of domestic violence has a more significant impact on impoverished women and families led by women.

When we talk about the feminization of poverty, we find that gender inequality caused by the accumulation of domestic work and infliction of domestic violence has a more significant impact on impoverished women and families led by women. It is an intersectional issue that articulates gender, class and race. The fight against poverty and social inequalities is not made only with access to income but with public policies and public infrastructures that promote social rights like health, education, mobility, housing and food security.

Bolsonaro’s government refused to purchase vaccines Eleven times, being the primary reason for the increase in the number of Covid-19 cases in Brazil. In addition, it started the vaccination campaign only in 2021. Currently, we are in May, and less than 20% of the population has been vaccinated. We need the vaccine because it is the only alternative against the virus. We also want the maintenance of the emergency aid for R$ 600,00 while the pandemic lasts to guarantee dignity to unemployed and impoverished women minimally. We are tired of watching the people we love dying from Covid-19 and being victims of Bolsonaro’s Necropolitics. For this reason, women’s movements roar: FOR THE LIFE OF WOMEN, GET OUT BOLSONARO! #ForaBolsonaro #GetOutBolsonaro


Feminização Da Pobreza E Pandemia No Brasil

O coronavírus impactou também na vida e dia-a-dia das mulheres no Brasil. Já nos primeiros meses da pandemia, em março e abril de 2020, o Banco Mundial divulgou um relatório com aumento de 22% nos feminicídios em relação ao mesmo período em 2019. No mesmo relatório também se divulgou que o Disque 180, linha nacional para atendimento de violência contra à mulher, teve 27% de aumento nas denúncias.

Além destas violências, também se intensificou a carga do trabalho doméstico não pago. No relatório “Sem Parar – o trabalho e a vida das mulheres na pandemia”, foi apresentado que 50% das mulheres brasileiras estão cuidando de alguém neste período. Quando se realiza o recorte racial, estes números são ainda mais cruéis: 50% das mulheres indígenas e 52% das mulheres negras são responsáveis pelo cuidado de alguém, enquanto 46% das mulheres brancas realizam o mesmo tipo de trabalho. Entre as mulheres que estão inseridas no mercado de trabalho e que acumulam a função doméstica, 41% afirmaram que estão trabalhando mais na pandemia. Ainda, 40% das mulheres podem perder seu sustento e 58% das mulheres desempregadas são negras.

As mulheres estão mais expostas à pandemia porque são as que cuidam das pessoas doentes em suas casas. Somos nós que estamos cumprindo a função do Estado sem nenhuma remuneração.

Nesse contexto, também denunciamos a negligência e violência realizada pelo governo GENOCIDA de Jair Bolsonaro, que reduziu ao mínimo os serviços públicos de educação, saúde e assistência social, com graves consequências às mulheres mais pobres. 

As mulheres estão mais expostas à pandemia porque são as que cuidam das pessoas doentes em suas casas; das crianças e adolescentes sem o ensino presencial nas escolas; das pessoas mais velhas sem assistência social e atendimento médico. Somos nós que estamos cumprindo a função do Estado sem nenhuma remuneração. Tudo isso impacta no aumento de um fenômeno que vem sendo denunciado desde a década de 1970: a feminização da pobreza.

Ao falarmos em feminização da pobreza, verificamos que a desigualdade de gênero, provocada pelo acúmulo do trabalho e violência domésticos, impactam ainda mais nas mulheres empobrecidas e nas famílias chefiadas por mulheres.

Ao falarmos em feminização da pobreza, verificamos que a desigualdade de gênero, provocada pelo acúmulo do trabalho e violência domésticos, impactam ainda mais nas mulheres empobrecidas e nas famílias chefiadas por mulheres. É uma percepção interseccional que articula gênero, classe e raça. O combate à pobreza e às desigualdades sociais não é somente com o acesso à renda, mas com serviços públicos que promovam direitos sociais como saúde, educação, mobilidade, habitação e segurança alimentar.

Por onze vezes, o Governo Bolsonaro recusou a compra de vacinas, sendo o principal responsável pelo aumento no número de casos de Covid-19 no Brasil e, além disso, começou a campanha de vacinação somente em 2021. Estamos em maio e menos de 20% da população foi vacinada. Queremos vacina porque é a única alternativa contra o vírus e queremos a manutenção do auxílio emergencial no valor de R$600,00 (seiscentos reais) enquanto durar a pandemia para minimamente garantir dignidade às mulheres desempregadas e empobrecidas. Também estamos cansadas de enterrarmos as pessoas que amamos para a Covid-19, vítimas da necropolítica de Bolsonaro. Por isso, movimentos de mulheres gritam: PELA VIDA DAS MULHERES, FORA BOLSONARO E MOURÃO! #ForaBolsonaro